15 de julho de 2015

Tábuas | Merengue com frutos vermelhos


3 claras de ovo e 125 gr de açúcar em pó.

Bater as claras em castelo bem duras e juntar o açúcar a pouco e pouco até obter um merengue bem consolidado.

Untar uma base de forma desmontável, redonda, cobrir com papel vegetal e untar por sua vez o papel vegetal.

Com a massa do merengue, formar uma bolacha grande e alta.

Vai ao forno a 150º durante 45 a 60 minutos. A cozedura deve ser lenta.

Depois de pronto, colocar o merengue numa tábua, e a 250 gr de Mascarpone juntar 3 a 4 colheres de whisky que vão forrar o merengue.

Por cima, colocar os frutos vermelhos – morangos, framboesas, mirtilos, amoras e pêssego.

Decorar com folhas de hortelã. Regar com um fio de mel e mais um fio de whisky.

30 de junho de 2015

Tábuas | Conservas



Conservas Briosa Gourmet:
Filetes de atum em azeite de oliveira com cebola e loureiro.
Sardinhas em azeite picante com condimentos.
Filetes de cavala em azeite picante com condimentos.

Rúcula. Pepino. Tomate cherry. Ovo cozido.
Pão torrado. Mini línguas (Lingue di suocera Mario Fongo, no El Corte Inglés).
Sal e pimenta preta do moínho.





16 de junho de 2015

Peitos de codorniz em escabeche


Os peitos de codorniz podem encontrar-se já arranjados nalguns supermercados. Não dispensam, no entanto, algum trabalho para lhes retirar alguns ossos e cartilagens da quilha.

Temperar a carne com a totalidade dos elementos do escabeche, que a devem cobrir por completo. 

Para uma embalagem de peitos:
2 cebolas roxas laminadas
5 dentes de alho esmagados com pele
vinho branco
azeite
flor de sal
pimenta preta em grão
2 folhas de louro e vinagre (1 dl no mínimo)

Deixar marinar durante algumas horas, idealmente de um dia para o outro. 

Colocar tudo num tacho ou caçarola e deixar cozer em lume muito brando até a cebola ficar macia e transparente. Servir frio. Acompanha com batatas fritas em rodelas finas.

12 de junho de 2015

Um pedido de socorro

Em defesa do Pastel de Bacalhau e do queijo Serra da Estrela.

Levantei os olhos e deparei com uma verdadeira obscenidade no ecrã do meu televisor: um pastel de bacalhau a esvair-se em queijo Serra da Estrela.

Não pode vir mais a propósito a expressão "com uma cajadada matar dois coelhos". Duas das mais queridas e conseguidas especificidades da nossa gastronomia, numa pornográfica e ridícula figura! Julgo que vi, e foi-me confirmado, que a ideia terá sido do Turismo de Portugal. Chamar a atenção para o nosso católico e recatado País com aquela obscena imagem, parece-me obra do diabo, quiçá do Estado Islâmico.

O queijo Serra da Estrela já está habituado a estas diabruras, o que me leva a pensar que pessoas com responsabilidades nunca o conheceram na sua pujança: maduro e cortado à fatia; mas o inocente pastel de bacalhau, Senhores, porquê?!

Não desconheço que as autoridades, por desespero da população, estão muito preocupadas com os toldos que abrigam a referida aberração, mas... e na Cultura, não há ninguém com papilas saudáveis, bom gosto, e que saiba que o Pastel de Bacalhau é uma das jóias mais perfeitas e mais queridas da nossa gastronomia popular?

Ninguém com poder toma conta "disto"?
Maria de Lourdes Modesto

8 de junho de 2015

Convidado (muito) especial


Na Curia dos anos sessenta ainda era possível observar vestígios de um estilo de vida em que a ida para as termas era um ritual das famílias. Os médicos aconselhavam-na, com maior ou menor formalismo, e os tratamentos eram um pretexto para se viajar, para se fazer uma pausa. Uma fuga.

Os avós eram os principais beneficiários dessa visita ritual e necessária. Com eles iam as tias, as verdadeiras – e que, muitas vezes, tinham justamente ficado para tias –, que continuavam a acompanhar os pais, como se fossem ainda meninas sem idade para terem vida própria.

A existência dessas tias permitia muitas vezes que os netos beneficiassem também dessas férias diferentes. Os pais das crianças juntavam-se-lhes a partir de certa altura ou eram visitantes de fim-de-semana.

Todos, enchiam as grandes mesas redondas do Palace Hotel às refeições. O jantar era a refeição nobre e todos se apresentavam impecavelmente vestidos. Eles, de casaco de linho e camisa branca ou creme, suspensórios, calças leves, sapatos de verão. O uso de gravata era normal. Elas usavam vestidos estampados, quantos deles acabadinhos de fazer para estrear lá. O batom e o pó-de-arroz cumpriam meticulosamente a sua função. Exalavam um perfume intenso e enjoativo.

A maior parte dos homens usava chapéu durante o dia, fora do hotel. Elas também, de palha, grandes e com fitas garridas. As crianças flanavam pelo jardim ou iam para a piscina sob o olhar das tias, as tais, enquanto os avós faziam os tratamentos. Depois do almoço iam descansar. Às quatro voltavam para a piscina. Ou iam passear ao Luso e ao Buçaco. Ou a Aveiro, para comer ovos-moles, ou visitar a Vista Alegre. Ou simplesmente à Mealhada, logo ali, comer leitão. Ou, alegria das alegrias, davam longos passeios de gaivota no lago do parque do Hotel das Termas. Bebiam-se gasosas, Laranjina C, Ginger Ale ou sumos Canada Dry. Faziam-se amigos, miúdos e graúdos. Às vezes havia diversões que tanto contentavam os velhos como os novos: cantorias, números de ilusionismo.

O Palace Hotel mantinha o afã próprio do grande hotel e havia sempre um vaivém silencioso, mas certamente não já o bulício dos tempos áureos, nos anos vinte. O grande elevador do átrio ainda funcionava. O enorme lounge e as mesas do lado de fora enchiam-se de gente e de um burburinho de murmúrios, homens a ler o jornal e a fumar com os amigos e conhecidos de anos anteriores. As senhoras conversavam, jogavam cartas, davam passeios. Em certos recantos, curvadas sobre pequenas escrivaninhas onde se encontrava papel de carta, informavam o mundo sobre o andamento do exílio termal.

O Palace Hotel da Curia envelheceu bem. Foi cuidado e remodelado, conservando a imponência da arquitectura de Norte Júnior e os requintes decorativos que fizeram a sua glória na idade do gin e do jazz. O elevador já não está ao serviço, mas está lá, como todo o outro mobiliário da zona de foyer, como memória desse outro tempo, dessa outra vida. As escrivaninhas também ainda lá estão, embora ninguém precise de se sentar à escrivaninha para falar pelo telemóvel.

Enfim, o hotel mantém o que o torna distinto de todos os outros, o grande estilo europeu, as madeiras, o mobiliário, as salas monumentais, a ala termal, o luminoso restaurante, a mesma piscina de dimensão olímpica. E um reconfortante ambiente silencioso, uma raridade hoje em dia. Os quartos foram sabiamente reformulados, conservando vestígios de  outras épocas. Tudo isso sem se tornar um fantasma, muito embora seja necessário um esforço de imaginação para reconstituir a azáfama de tempos idos. O cinema tem aliás recorrido com frequência a este magnífico cenário.

O único fantasma aqui é o estilo de vida que presidia à ida às termas Ainda há famílias, mas a grande dimensão do hotel dificilmente permitirá que se encha com elas. Os avós não têm filhas jovens e virginais que os queiram acompanhar, por isso não há festas, nem bailes, nem concursos de vestidos de chita… E, sobretudo, já quase ninguém se veste a rigor para o jantar.


De partida para a Curia, alguém avisou: não se esqueçam do vinho do Buçaco. Esboçámos um sorriso incrédulo: isso é coisa de antigamente, já não devem fazer. A ignorância é muito atrevida. O vinho do Buçaco ainda existe. Existe e recomenda-se. Existe e é absolutamente admirável. E fiquemo-nos por aqui para poupar na adjectivação.

O vinho do Buçaco foi criado por iniciativa de Alexandre de Almeida, fundador do Hotéis Palace do Buçaco e da Curia, com o objectivo – que se mantém inalterado – de satisfazer os seus clientes. Sem querermos entrar na discussão, por manifesta falta de competência para tal, sobre se este vinho poderia ser considerado ou não o grande Premier Cru português, não temos grande dúvida em afirmar que estamos a falar de um dos grandes vinhos portugueses. E que a visita a qualquer destes hotéis constitui também uma singular forma de enoturismo.

Sobre a sua história e sobre a mítica adega do Hotel do Buçaco, onde se guardam garrafas que remontam aos anos 40, podem os leitores deste blogue encontrar informação dispersa, mas útil, na internet. Aqui, apenas queremos deixar testemunho, por mais tímido que tenha de ser, pois destes vinhos de grande longevidade apenas provámos o branco de 2011 (posteriormente o de 2007), e o tinto de 2007.


O branco foi, logo no nariz, uma revelação. Depois da primeira prova, o espanto. Um vinho (13%) que não se parece com nenhum outro: aromático, de cor citrina, volumoso, sem perder frescura nem acidez vivificante – espantoso como o de 2007 conserva a mesma vivacidade –, notas florais e meladas que apontam para a presença de Encruzado. Um vinho intenso no aroma e no sabor, com um final invulgarmente persistente num branco. Um vinho de encher a boca. E chorar por mais.

Rendidos ao branco, só provámos o tinto algum tempo depois – os vinhos podem ser bebidos e até adquiridos nos hotéis do grupo, que em Lisboa é o Jerónimos 8 –, como se nos tivéssemos convencido de que o tinto não causaria a mesma impressão. Puro engano.

Feito com Baga e Touriga Nacional (13,5%), uma associação virtuosa, mas muito exigente, revelou-se inicialmente fechado, no nariz; na boca mostrou-se muito rico, bem trabalhado, com grande equilíbrio entre acidez e volume, num conjunto que concilia, sem problemas, robustez e elegância. Surpreendente. Excelentíssimo.

O Palace conserva, afinal, dois velhos frequentadores de tempos antigos. E, magnânimos, convidam a que nos sentemos à sua mesa.


4 de junho de 2015

Tábuas | Requeijão



Requeijão de Azeitão (ou de Serpa)
Tomate-cereja temperado com azeite e cebolinho picado
Azeitonas verdes temperadas com ervas e alho
Azeitonas Kalamata
Rúcula
Rabanetes
Bolachas com pimenta preta e sal marinho (Farmhouse Biscuits)
Bolachas com tomate seco e manjericão (Farmhouse Biscuits)
Pão de centeio e malte (Supercor)

29 de maio de 2015

Puro humo*


Qualquer fumador de charutos, seja ele mais ou menos regular, tem, no espaço ibérico, um profundo respeito reverencial pelos puros cubanos. E os habanos são, de facto, especiais. O terroir, a folha, a mestria, as mitologias, tudo contribuiu para o seu estatuto intocável.

O facto de a empresa de tabacos espanhola ocupar uma posição privilegiada na sua congénere cubana e ser sujeita a uma carga fiscal diferente da nossa, permitiu durante muito tempo que o país vizinho beneficiasse de preços excepcionais. Era possível ir a Espanha comprar caixas de charutos, ou até encomendar pelo correio.

Porém, o tempo de ter em casa, para dar um exemplo sublime, uma caixa de Torpedos Sancho Panza, acabou, pelo menos para uma boa parte dos apreciadores. O fumador de charutos também tem sofrido amargamente com a fiscalidade lusa e com a crise. Agora, com a reaproximação dos EUA com Cuba, as coisas vão certamente piorar. Os charutos cubanos serão certamente mais caros e cada vez mais raros.

Em contrapartida, esta situação fez com que pudéssemos descobrir os mercados alternativos, e cada vez mais importantes, da produção sul-americana. Desde logo, as produções da República Dominicana, para onde alguns dos antigos produtores cubanos se mudaram depois da revolução. Mas, hoje, muitos outros países produtores se impõem pela qualidade. É o caso da Nicarágua, que começa a marcar uma presença muito forte no mercado internacional.

Destacamos aqui o caso dos charutos Oliva. Reza a história que Melanio Oliva foi produtor de tabaco em Cuba, desde 1886, tendo participado inclusivamente na guerra de independência, sendo a produção, posteriormente, dirigida pelo seu filho. Após a revolução e o domínio comunista, o neto Gilberto acabou por fixar a produção na Nicarágua a partir de sementes de tabaco cubano, tornando-se o segundo maior produtor daquele país. Vale a pena explorar o universo Oliva, de que continuaremos a falar aqui.



*Puro humo é o título de um livro fundamental do escritor cubano Guillermo Cabrera Infante (1929-2005).

25 de maio de 2015

Novamente as conservas



A Loja das Conservas promove esta semana, até 31 de Maio, a marca La Gondola. 

Até agora sobretudo destinados à exportação, os produtos da La Gondola são de altíssima qualidade. 

Dos escabeches ao bacalhau, passando pelas sardinhas divinamente maturadas, nenhuma desilude, como tivemos a oportunidade de comprovar, devidamente retiradas da lata, deixando-as arejar, como mandam as regras. Outro ponto de identidade com o vinho.



Dois aspectos louváveis: 

o primeiro, a confecção de produtos destinados aos mais pequenos, um investimento na formação do gosto dos futuros consumidores; 

o segundo, o cuidado posto no design gráfico das embalagens, aliás já premiado.

23 de maio de 2015

Vinho do Porto e trufas de figo


Há já muitos anos que os tawnies da Graham's se tornaram indispensáveis na garrafeira cá de casa. São companheiros habituais de conversa, de um bom filme ou de uma série que valha a pena. Tanto assim é que, depois de um jantar, há quem pergunte pelo «tóni», que é como é carinhosamente conhecido.

Há menos anos, mas há já alguns, tomámos contacto com os produtos da Quinta da Fornalha, em Castro Marim. Gente muito simpática e civilizada, de quem gostámos imediatamente. De lá, costumamos vir carregados de especialidades algarvias como doces e chutneys, uma fantástica aguardente de figo, e de uma outra coisa incrivelmente boa: trufas de figo. Trata-se de bolo de figo com uma cobertura de chocolate e, agora, numa versão mais recente, também amêndoa. O figo adquire um centro fondant e a combinação é imperdível.

Naturalmente que imaginámos logo as trufas da Quinta da Fornalha a casarem bem com o tawny. E que feliz casamento! Um after dinner perfeito, sóbrio e requintado, que combina o norte e o sul. Um luxo.

20 de maio de 2015

Lombinhos de porco preto

 A sofisticação das coisas simples

Uma coisa são favas com chouriço, o prato, ou melhor, a pratada. Outra é a utilização de favas numa entrada ou num acompanhamento.

Uma embalagens de favas baby congeladas. Passá-las por água quente da torneira. Esperar um pouco e retirar-lhes a pele, apertando-as entre os dedos. Leva algum tempo a completar a operação, mas a cozinha exige paciência.

Refogar em azeite um quarto (para uma embalagem pequena de favas) de cebola roxa laminada, pimento vermelho cortado em pedaços e um dente de alho. Juntar uma folha de louro, por exemplo. Temperar com flor-de-sal. Regar com vinho branco e deixar cozer, juntando mais vinho ou água sempre que necessário. Quando estiverem cozidas, escorrer e servir como acompanhamento.

Quantos aos lombinhos de porco preto, a primeira exigência é que sejam mesmo de porco preto e sejam de pequena dimensão. 
Untar a frigideira, caso se dispense o uso de assador, com azeite, de modo a não haver excesso de gordura. Aquecer bem. Colocar os lombinhos, apenas levemente temperados com flor-de-sal, durante 2 ou 3 minutos de cada lado (pode ter de ser um pouco mais, dependendo do tamanho deles, claro), virando-os bem com ajuda de um garfo, de modo a que o interior fique de cor rosada viva.

Um jantar muito simples, sem fogo-de-artifício nem banda filarmónica, mas com a sofisticação muito exigente das coisas mais simples.


28 de abril de 2015

Convidado especial

A sub-região do Douro Superior representa 44% da totalidade da área demarcada e, além da vinha, por lá continua uma importante e antiga cultura de olival. O clima mediterrânico adquire nesta sub-região características continentais, que a tornam a mais árida de todas, chegando a ser necessário recorrer a irrigação para obter o grau de maturação das uvas pretendido. Os terraços são mais homogéneos e o solo xistoso é menos rijo, podendo ser mais facilmente partido em pequenos pedaços. Produzem-se aqui vinhos da maior qualidade.


A Quinta de Lubazim fica na margem direita do Douro, em terras alto-durienses e transmontanas, e tem história e pergaminhos que remontam aos primórdios da nacionalidade, que a origem arcaica do seu próprio nome testemunha, pertencendo ao senhorio da família dos actuais proprietários desde meados do século XIII.

Não admira, por isso, que os rótulos dos vinhos aqui produzidos procurem ostentar a linhagem e ancestralidade da família que orgulhosa e louvavelmente mantém a tradição. No entanto, sem abdicar dos símbolos e valores próprios, a imagem gráfica poderia ser revista e actualizada de modo a adquirir maior legibilidade e impacto competitivo. Mas os rótulos, neste contexto, são apenas um detalhe.

Os vinhos da Quinta de Lubazim, empresa com sede em Vila Flor (ver video), acompanharam a acção promocional das Conservas Luças, em que o Verde Azeitona participou. Foi uma revelação, pois não conhecíamos nenhum dos vinhos, nem sequer por referência.

Tivemos oportunidade de provar o Lupucinus Branco Selection 2013, o Lupucinus Tinto Selection 2013, e o Quinta de Lubazim Grande Reserva 2009.


O Lupucinus branco (feito com Arinto, 40%; Viosinho, 30% e Gouveio, 30%; teor alcoólico12,5o) revelou-se um vinho de cor citrina e franca, frutado e bastante aromático, a que a acidez dá uma vivacidade e frescura surpreendentes e o torna persistente na boca – é um vinho que «enche» a boca –, tem bom volume e estrutura. Está um belo branco que, do ponto de vista gastronómico, se é bom companheiro do peixe em conserva, em condições de refrigeração adequada aguenta muitíssimo bem até uma carne assada de tempero forte.

O Lupucinus tinto (Touriga Nacional, 45%; Touriga Franca, 30%; Tinta Amarela, Sousão e mais 40 variedades, 25%; teor alcoólico14,5o) é um vinho não filtrado (apresentou depósito, pelo que convém decantá-lo), de cor retinta, com boa concentração. No nariz apresenta-se ainda um pouco fechado; na boca também não se revela imediatamente, mas apresenta notas florais e alguma ameixa preta. A estrutura não desacompanha o teor alcoólico, o que é bom sinal, sem, no entanto, deixar de ser um vinho muito macio, tudo qualidades indubitáveis que podem talvez ainda evoluir em garrafa.

Por fim, o Quinta de Lubazim Grande Reserva 2009. Segundo informação do sítio de internet (não da garrafa) – que nos perdoem os produtores, também precisa de cuidados –, é feito com Touriga Nacional (40%) e Touriga Franca (30%) a que se juntam outros 30% de Vinhas Velhas (?!). Exibe, sem vergonhas, um teor alcoólico de 14,5o. É um vinho retinto, com boa concentração e aroma franco. Sem termo de comparação com as colheitas anteriores, não nos é possível notar diferenças, mas é um vinho com boa estrutura, bem proporcionado na relação entre acidez e fruta (silvestre) e a intensidade das notas florais, que lhe dá complexidade. Não se dá muito pela madeira, mas pode isso querer dizer que está bem integrada. O tempo — «esse grande escultor», disse Marguerite Yourcenar — ter-lhe-á talvez acentuado a maciez, sem lhe fazer perder o carácter. Está na altura de o consumir, pois pode estar prestes a atingir o auge da evolução em garrafa, e está muito bom.  

Fica a curiosidade de provar os outros vinhos da casa, precisávamos era de saber onde se podem encontrar. Mas, torcendo um pouco o ditado, podemos acreditar que quem procura sempre alcança…

26 de abril de 2015

O mundo das conservas

A oportunidade, e ao mesmo tempo o desafio, de produzir alguns petiscos com base em latas de conserva de atum e sardinhas proporcionou um interessante e utilíssimo aprofundamento de conhecimentos sobre a indústria conserveira.
 
Antes de mais, é preciso sublinhar o facto notável de podermos ver todo um sector da indústria em renovação, neste caso muito apoiada na Associação Nacional dos Industriais de Conservas de Peixe e em iniciativas como a Loja das Conservas ou o restaurante Can The Can.
 
Renovação e revalorização da imagem das conservas como produto nacional da mais alta qualidade, que tem passado também por uma reavaliação e reactualização do grafismo tradicional, e ainda renovação na variedade e amplitude do seu uso gastronómico.
 
Guiados por Pedro Luças, representante das Conservas Luças, empresa de Matosinhos, cujos produtos excelentes trabalhámos nos petiscos, e cuja história remonta a 1887, aprendemos algumas características essenciais das conservas de confecção tradicional: a importância de alguns detalhes no tratamento inicial do peixe, do modo de cozedura e de tempero, mas também da colocação dos espécimes na lata, e como o peixe matura e envelhece na lata, adquirindo matizes e requintes de sabor, que os apreciadores e conhecedores, nacionais e estrangeiros, procuram como verdadeiras preciosidades.
 
O Verde Azeitona vai certamente continuar a dedicar muita e merecida atenção às conservas.

Conservas Luças


Fatia de pão fresco com azeite e flor de sal, 
beterraba e sardinha em molho de limão
Slice of fresh bread with olive oil, fleur de sel, 
slice of red beet and sardine in lemon sauce


Tosta barrada com molho, estilo dip 
(iogurte grego, queijo de barrar com ervas, cebolinho, pimenta) 
com sardinhas sem pele e sem espinhas
Toast spread with a rich sauce (dip style), 
topped with skinless and boneless sardines


Centro de alcachofra com rabanete, tira de 
ventresca de atum e pimenta preta moída 
Artichoke centers and radish topped
with tuna belly and ground black pepper

25 de abril de 2015

Conservas Luças



Pimentos de piquilho recheados com 
sardinhas em azeite de oliveira e piripíri, coentros frescos.

Piquillo peppers filled with 
sardine in piripiri and olive sauce, and fresh coriander.




Tosta com tomate seco, lombo de atum, 
pimenta preta moída e raspa de limão.

Toast with dried tomato, tuna loin, 
ground black pepper and lemon zest.




Wrap de abacate, sardinhas em azeite virgem extra Casa de São Miguel, 
flor de sal, pimenta da Jamaica, sumo e raspa de lima

Wrap of avocado, sardine in olive oil, fleur de sel, 
allspice, lime juice and zest